18 de abr. de 2012

ADOLESCENTE, O INCOMPREENDIDO

Muito já se escreveu sobre o adolescente. Muito mais já se disse sobre essa fase áurea da vida. Entendê-la, para alguns, é desafio impossível. Criticá-la é fácil. Pais, educadores, líderes, esquecidos do seu tempo de adolescência, vêem este momento da vida como incontrolável. O próprio adolescente, neste confuso emaranhado, sente-se perdido. Sem rumo e sem saber em quem confiar já que todos o criticam. Fazem comparações, nem sempre honestas e verdadeiras, com a adolescência inexistente e utópica. Alguns pais vão mais longe e a denominam aborrecência. São pais que deram “um salto” da vida infantil para a vida adulta. Não “passaram” pela transição adolescente. Ou buscam ofuscar os erros que cometeram. Não tem coragem de confessar que foram piores do que os filhos. Apresentam uma auréola de santo, que nunca existiu. Refugiados nos segredos do passado, passam a cobrar o impossível. Ou então buscam desesperadamente impedir que os filhos vivenciem as mesmas mazelas de suas vidas. Proteção inócua. Já que o correto seria o viver sincero, que admite que todos falhamos, em circunstâncias diferentes.

É possível comprovar que o desequilíbrio adolescente tem suas raízes no desequilíbrio e falsidade dos adultos. Pais desequilibrados. Não estruturados para gerar e educar filhos, terminam por influenciar negativamente a personalidade dos filhos. Quem não é honesto nos mínimos detalhas da vida, não pode exigir honestidade. O mentiroso nunca poderá exigir compromisso com a verdade. Quem não leva a vida cristã e o relacionamento com Deus a sério, não pode aguardar filhos santos. Há uma mentira comum em muitos salvos. Afirmam que educam os filhos na Igreja. Foram levados aos cultos, mas hoje estão distantes da Igreja e do Evangelho. Não são verdadeiras tais afirmações. Levaram mas não participaram. Não viveram o Evangelho em sua essência. São vidas dúbias. Não conseguem equilibrar o cristianismo do domingo com o da segunda-feira. O cristianismo que vivem durante a semana é pífio. Insulso. Sem brilho. Comprometido e corrompido pelo pecado. A criança e o adolescente consegue, cedo, estabelecer a diferença entre o falso e o verdadeiro. Especialmente na vida dos pais. As exigências injustas e descabidas servem apenas para aflorar mais cedo o fruto do que semeamos.

Muitos são os que semeiam. Adubam. Regam e depois reclamam dos frutos. A terra do mal é sempre fértil e dadivosa em produzir o máximo. Uma ausência dos cultos, não justificada, exerce poder demolidor na credibilidade que tentamos transmitir. Uma palavra negativa de crítica tem o avassalador poder de levar uma vida infantil ou adolescente para o inferno. O diabo é perito em trabalhar com restos putrefatos do testemunho canhestro. Reclamamos dos resultados. Mas não levamos em consideração os frutos que produzimos. Não há como fugir ou alterar o princípio bíblico estatuído em Gálatas 6: 7-8. A semeadura é persistente. A colheita, pode ser demorada, mas é sempre abundante em seus resultados. Sempre regada com muitas lágrimas.

A adolescência é um período áureo da vida. Tudo na experiência do adolescente é bonito. Desafiador. Repleto de emoções. Envolto em sonhos. A esperança, os sonhos, devaneios, visões e até mesmo os pesadelos se apresentam como reais. Materializam-se no virtual. Vive-se amor à distância. Suspira-se esperança como algo tangível. Por isso o adolescente precisa de amigos. Alguém com quem repartir seus sonhos impossíveis. Os melhores amigos deveriam ser os pais. Isto exige tempo. Dedicação. Paciência em ouvir e ficar acordado. Infelizmente os pais dos adolescentes vivem a fase do desespero pelo material. A maioria está na idade de construção material do futuro. Não sobra tempo para a família. Menos ainda para os filhos adolescentes. Há pais que se recusam acompanhar os filhos adolescentes. Levá-los à uma reunião na Igreja ou na casa de um amigo. Ir buscá-los ao final da reunião. O não interesse dos pais gera desequilíbrio que se apresenta com matizes variegados.

Não é difícil ver as reações desequilibradas. Tatuagens. Pircing. Cabelos por cortar. Roupas desconfortáveis. Apertadas demais ou tão largas que cabe toda a turma. Banho por tomar. Notas baixas nos estudos. Confusão na escola e na rua. Alguns experimentam drogas. Sexo. Há os que se tornam prisioneiros dos vícios. Tudo fazem para chamar a atenção. Reféns dos sites pornográficos. Do amor virtual. Prisioneiros da ausência de compreensão.

Claro que atrás de toda a angústia que aflige o adolescente existem pais desequilibrados. Relacionamentos conjugais feridos e fragilizados pela ausência de verdadeiro amor. As eternas brigas e desavenças dos pais, são campos férteis à instabilidade do adolescente. A descrença no amor é fruto da ausência de amor dos pais, enquanto cônjuges. A apatia pelo futuro é o reflexo de uma sociedade sem compromisso com a verdade e os sagrados valores que deveriam balizar a existência.

Na verdade não só o adolescente, mas os nossos jovens, juniores e crianças refletem o resultado de um mundo adulto descomprometido com a verdade, honestidade e valores bíblicos. Não há como exigir que os filhos sejam melhores dos que os pais e líderes.

Ter filhos na idade adolescente, mais que desafio, significa bênção. Nossos filhos nos forçam a rever nossos valores e os conceitos que transmitimos como padrão de vida cristã. Ser adolescente é um momento repleto de esplendor. Não há como desperdiçá-lo com atitudes pueris. Mas sim, aproveitar para construir promissor futuro, mediante real experiência com Cristo Jesus com Salvador e Senhor, que soube viver a adolescência envolvida nos negócios do Pai (Lc 2:49). Viva a adolescência e seja um adolescente comprometido com Jesus.